ÉTICA:
PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS
Código: BH1204
Quadrimestre 7º(2º
quadrimestre de 2016)
TPI: 4-0-4.
Carga Horária: 48 horas.
Ementa: A
disciplina destina-se a discutir questões concernentes à construção de sistemas
normativos bem como de Ética aplicada às situações de ação. Serão privilegiados
temas e autores contemporâneos, selecionados, inclusive, a partir da
identificação dos desafios éticos mais relevantes na atualidade.
Proposta:
O curso será centrado na questão da violência.
Trata-se de investigar o que significa falar em “violência”, como identificá-la
e interpretá-la, suas origens, causas e efeitos, o que a torna possível e como
combatê-la. Investigar-se-á também suas diferentes figuras e em que medida ela pode
ser justificada. Serão discutidos textos de autores dos séculos XX e XXI e
também autores que discutem a questão da violência no Brasil. Como ponto de
partida para a discussão será analisada a Lei Antiterrorismo (13.260/2016).
Metodologia:
Além das aulas expositivas baseadas em textos conforme o programa abaixo, serão
promovidos seminários sobre os diversos aspectos da violência, especialmente no
Brasil. O curso é experimental e dependente da colaboração ativa dos alunos.
Além das aulas e seminários, serão promovidas atividades externas sobre o tema
“estética da violência” que consistirá em debates que ocorrerão neste blog a
partir da exposição de filmes e obras musicais fora do horário de aula.
Programa
do curso
- 09/06 – Apresentação do curso: a
Lei Antiterrorismo (13.260/2016)
- 16/06 – A violência absoluta. A
banalidade do mal e o mal absoluto – reflexões sobre o holocausto a partir
de H. Arendt e Adorno.
- 23/06
–Arqueologia da violência (Pierre Clastres)
- 30/06
– Genealogia da violência (A
genealogia da moral de Nietzsche)
- 07/07
– Crime e castigo (Vigiar e punir
de Foucault)
- 14/07
– O nascimento da prisão
- 21/07
– Aula suspensa
- 28/07
– Delinquência e ilegalismo
- 04/08
– Foucault e o nascimento da biopolítica (aula com o professor Carlos E. Ribeiro)
- 11/08
– O estado de exceção (a biopolítica de Agamben)
- 18/08
– Violência e revolução (Zizek, Sorel, Benjamin)
- 25/08
– Publicação das notas e avaliação do curso
Avaliação
- Seminário:
30%
- Participação
nos debates do blog: 30%
- Trabalho
final: 40%
Monografia sobre o
tema: O que significa uma crítica da violência?
Formato:
Pequena
monografia com cerca de 20 mil toques (de preferência em formato Word Times New
Roman, fonte 12, espaço 1,5) desenvolvendo o tema acima ou algum dos temas
tratados no curso. 51 por cento das referências bibliográficas do trabalho
devem ser constituídas por títulos mencionados na bibliografia do programa que
segue abaixo (e outros que serão adicionados no decorrer do curso). Qualquer
sinal de plágio resultará em anulação do trabalho e reprovação na disciplina.
Bibliografia Básica
ADORNO, T. Minima moralia. Rio de Janeiro: Beco do Azougue,
2008.
ADORNO,
T. /HORKHEIMER, M.. Dialética do Esclarecimento. Trad. Guido A. de
Almeida. Rio de Janeiro, Zahar, 1985.
AGAMBEN,
Giorgio. Homo Sacer – o poder soberano e
a vida nua I. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.
AGAMBEN,
Giorgio. Estado de Exceção. São
Paulo, Boitempo: 2004.
AGAMBEN,
Giorgio. O que resta de Auschwitz: o
arquivo e a testemunha [Homo Sacer, III]. São Paulo, Boitempo: 2008.
ARENDT,
H. Origens do totalitarismo. São
Paulo: Companhia das Letras, 1989.
ARENDT, H. Eichmann
em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
BENJAMIN, W. “Para uma
crítica da violência”, em Escritos sobre
mito e linguagem. São Paulo: Editora 34, 2011.
FOUCAULT.
Michel. Microfísica do poder, 2ed.
Rio de Janeiro: Graal, 1981.
FOUCAULT.
Michel. Vigiar e punir: nascimento da
prisão.Petrópolis, RJ : Vozes, 2014.
SCHMITT,
Carl. O conceito do político / Teoria do
Partisan. Belo Horizonte: Del Rey, 2009.
ŽIžEK,
S. Violência: seis reflexões laterais. São Paulo: Boitempo, 2014.
Bibliografia Complementar
ALVES
JUNIOR, D. A. Dialética da vertigem. Adorno e a filosofia moral. São
Paulo, Escuta, 2005.
ARANTES,
P. Extinção. São Paulo: Boitempo, 2007.
ARANTES,
P. O novo tempo do mundo e outros estudos
sobre a era da emergência.
São Paulo: Boitempo, 2014.
ARENDT, H. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
ARENDT, H. Sobre a revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
AVELAR, Idelber. Figuras da Violência. Ensaios sobre narrativa, ética e música popular. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2011.
BARCELLOS, Caco. Rota 66: a história da polícia que mata. 10ª edição. São Paulo:
Record, 2009.
CALDEIRA, Teresa P. do Rio. Cidade dos muros: crime, segregação e
cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34, Edusp, 2000.
CAMUS, Albert.O homem revoltado.
Rio de Janeiro: Record, 1996.
CLASTRES, Pierre. Arqueologia da violência: pesquisas de antropologia política. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
DIAS,
Camila Caldeira Nunes. Da Pulverização ao monopólio da violência: expansão e
consolidação da dominação do PCC no sistema carcerário paulista. Tese de
doutorado. Universidade de São Paulo, 2011.
DUNKER,
C. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma
psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2014.
EDUARDO.
A guerra não declarada na visão de um
favelado. São Paulo: Carlos Eduardo Taddeo, 2012
FOUCAULT.
Michel. Em defesa da sociedade. São
Paulo, Martins Fontes: 2005.
FOUCAULT.
Michel. Nascimento da Biopolítica. São
Paulo, Martins Fontes: 2008.
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Thomas. Do Cidadão. São Paulo:
Martins Fontes, 2002.
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