quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ementa, programa e bibliografia da disciplina

ÉTICA: PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS
Código: BH1204
Quadrimestre 7º(2º quadrimestre de 2016)
TPI: 4-0-4.
Carga Horária: 48 horas.
Ementa: A disciplina destina-se a discutir questões concernentes à construção de sistemas normativos bem como de Ética aplicada às situações de ação. Serão privilegiados temas e autores contemporâneos, selecionados, inclusive, a partir da identificação dos desafios éticos mais relevantes na atualidade.

Proposta: O curso será centrado na questão da violência. Trata-se de investigar o que significa falar em “violência”, como identificá-la e interpretá-la, suas origens, causas e efeitos, o que a torna possível e como combatê-la. Investigar-se-á também suas diferentes figuras e em que medida ela pode ser justificada. Serão discutidos textos de autores dos séculos XX e XXI e também autores que discutem a questão da violência no Brasil. Como ponto de partida para a discussão será analisada a Lei Antiterrorismo (13.260/2016).

Metodologia: Além das aulas expositivas baseadas em textos conforme o programa abaixo, serão promovidos seminários sobre os diversos aspectos da violência, especialmente no Brasil. O curso é experimental e dependente da colaboração ativa dos alunos. Além das aulas e seminários, serão promovidas atividades externas sobre o tema “estética da violência” que consistirá em debates que ocorrerão neste blog a partir da exposição de filmes e obras musicais fora do horário de aula.

Programa do curso
  1. 09/06 – Apresentação do curso: a Lei Antiterrorismo (13.260/2016)
  2. 16/06 – A violência absoluta. A banalidade do mal e o mal absoluto – reflexões sobre o holocausto a partir de H. Arendt e Adorno.
  3. 23/06 –Arqueologia da violência (Pierre Clastres)
  4. 30/06 – Genealogia da violência (A genealogia da moral de Nietzsche)
  5. 07/07 – Crime e castigo (Vigiar e punir de Foucault)
  6. 14/07 – O nascimento da prisão
  7. 21/07 – Aula suspensa
  8. 28/07 – Delinquência e ilegalismo
  9. 04/08 – Foucault e o nascimento da biopolítica (aula com o professor Carlos E. Ribeiro)
  10. 11/08 – O estado de exceção (a biopolítica de Agamben)
  11. 18/08 – Violência e revolução (Zizek, Sorel, Benjamin)
  12. 25/08 – Publicação das notas e avaliação do curso

Avaliação
  1. Seminário: 30%
  2. Participação nos debates do blog: 30%
  3. Trabalho final: 40%
Monografia sobre o tema: O que significa uma crítica da violência?
Formato: Pequena monografia com cerca de 20 mil toques (de preferência em formato Word Times New Roman, fonte 12, espaço 1,5) desenvolvendo o tema acima ou algum dos temas tratados no curso. 51 por cento das referências bibliográficas do trabalho devem ser constituídas por títulos mencionados na bibliografia do programa que segue abaixo (e outros que serão adicionados no decorrer do curso). Qualquer sinal de plágio resultará em anulação do trabalho e reprovação na disciplina.
A monografia deve ser entregue por e-mail (flamarioncr@yahoo.com.br) até as 23:59 horas do dia 21/08/2016.

Bibliografia Básica
ADORNO, T. Minima moralia. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008.
ADORNO, T. /HORKHEIMER, M.. Dialética do Esclarecimento. Trad. Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro, Zahar, 1985.
AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer – o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.
AGAMBEN, Giorgio. Estado de Exceção. São Paulo, Boitempo: 2004.
AGAMBEN, Giorgio. O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha [Homo Sacer, III]. São Paulo, Boitempo: 2008.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
ARENDT, H. Eichmann em Jerusalém. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
BENJAMIN, W. “Para uma crítica da violência”, em Escritos sobre mito e linguagem. São Paulo: Editora 34, 2011.
FOUCAULT. Michel. Microfísica do poder, 2ed. Rio de Janeiro: Graal, 1981.
FOUCAULT. Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão.Petrópolis, RJ : Vozes, 2014.
SCHMITT, Carl. O conceito do político / Teoria do Partisan. Belo Horizonte: Del Rey, 2009.
ŽIžEK, S. Violência: seis reflexões laterais. São Paulo: Boitempo, 2014.


Bibliografia Complementar
ALVES JUNIOR, D. A. Dialética da vertigem. Adorno e a filosofia moral. São Paulo, Escuta, 2005.
ARANTES, P. Extinção. São Paulo: Boitempo, 2007.
ARANTES, P. O novo tempo do mundo e outros estudos sobre a era da emergência.
São Paulo: Boitempo, 2014.
ARENDT, H. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
ARENDT, H. Sobre a revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
AVELAR, Idelber. Figuras da Violência. Ensaios sobre narrativa, ética e música popular. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
BARCELLOS, Caco. Rota 66: a história da polícia que mata. 10ª edição. São Paulo: Record, 2009.
CALDEIRA, Teresa P. do Rio. Cidade dos muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34, Edusp, 2000.
CAMUS, Albert.O homem revoltado. Rio de Janeiro: Record, 1996.
CLASTRES, Pierre. Arqueologia da violência: pesquisas de antropologia política. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
DIAS, Camila Caldeira Nunes. Da Pulverização ao monopólio da violência: expansão e consolidação da dominação do PCC no sistema carcerário paulista. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, 2011.
DUNKER, C. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2014.
EDUARDO. A guerra não declarada na visão de um favelado. São Paulo: Carlos Eduardo Taddeo, 2012
FOUCAULT. Michel. Em defesa da sociedade. São Paulo, Martins Fontes: 2005.
FOUCAULT. Michel. Nascimento da Biopolítica. São Paulo, Martins Fontes: 2008.
GAGNEBIN, J. M. “Após Auschwitz”. In :Lembrar, escrever, esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006, pp. 59-81.
HOBSBAWM, Eric. Bandidos. São Paulo: Paz e Terra, 2015.
HOBBES, Thomas. Leviatã: ou Matéria, Forma e Poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1984. Coleção Os Pensadores.
HOBBES, Thomas. Do Cidadão. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
KUCINSKI, Bernardo. Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação. São Paulo: Boitempo, 2015.
KURZ, Robert. Razão Sangrenta: ensaios sobre a crítica emancipatória da modernidade capitalista e seus valores ocidentais. São Paulo: Hedra, 2010.
LEIVA, Cláudio Cogo. “Ética e violência”. In: TORRES, João Carlos Brum (org). Manual de ética: questões de ética teórica e aplicada. Petrópolis: Vozes, Educs, BNDES, 2014.
LIICEANU, Gabriel. Do ódio. Campinas: Vide Editorial, 2014.
LOSURDO, Domenico. Contra-história do liberalismo. Aparecida, SP: Idéias e Letras, 2006.
MARTINS, José de Souza. Linchamentos: a justiça popular no Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2014.
MARX, K. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1999.
MARX, K. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.
MARX, K. O capital: Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.
NIETZSCHE, Friedrich.Obras Incompletas. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. In: Coleção “Os pensadores”. São Paulo: Abril Cultural, 3ª ed., 1983.
NIETZSCHE, F. Genealogia da Moral. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
PINHEIROS, P. S. Crime, violência e poder. São Paulo, São Paulo: Brasiliense, 1983.
SADE, Marquês de. A filosofia na Alcova. São Paulo: Iluminuras, 2008.
SOARES, Luiz Eduardo. Justiça: pensando alto sobre violência, crime e castigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
SOREL, G. Reflexões sobre a violência. Petrópolis: Vozes, 1993.
TEIXEIRA, Alessandra. Construir a delinquência, articular a criminalidade: um estudo sobre a gestão dos ilegalismos na cidade de São Paulo. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, 2012.
TELES, E., SAFATLE. O que resta da ditadura. São Paulo: Boitempo, 2010.
TERESTSCHENKO, Michel. O bom uso da tortura ou como as democracias justificam o injustificável. São Paulo: Loyola, 2011.
ŽIžEK, S. Bem Vindo ao Deserto do Real. São Paulo: Boitempo, 2004.
ŽIžEK, S. Alguém disse totalitarismo? Cinco intervenções no (mau) uso de uma noção. São Paulo: Boitempo, 2013.



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