Este blog é uma ferramenta usada para troca de informações e materiais para o desenvolvimento da disciplina "Ética: perspectivas contemporâneas" da UFABC, sob a responsabilidade do Prof. Flamarion Caldeira Ramos, no segundo quadrimestre de 2016. O tema do curso será a violência.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
3. Roda Viva Internacional | Camille Paglia | 22/10/2015
A partir da discussão surgida no excelente seminário de ontem sobre "violência de gênero", coloco para debate aqui a entrevista de Camille Paglia ao programa "Roda Viva" da TV Cultura. Postem aqui seus comentários até o dia 10/07.
Assistir a entrevista de Camille Paglia é lidar com um espectro demasiado de temas polêmicos para o tempo. Interessante a leitura de que uma parte do feminismo atual é anti-libertário. Em um determinado momento da entrevista ela resume isso de maneira muito forte. “O que eu não gosto do feminismo atual é que toda a sua energia é direcionada para proteger a garota burguesa. Que quer que o mundo seja como a sua sala de estar.... ela espera que o mundo seja reduzido a essas proteções burguesas. Ela não percebeu seus privilégios, ela é arrogante e passou a sua arrogância para o feminismo.”. Tal leitura entre o passado (do qual ela foi ativista) e o atual (do qual ela critica) se dá na mudança de contextos. O passado tinha como meio a inserção da mulher no mercado de trabalho, algo até então negligenciado. Para ela isso foi um erro, pois a privação da biologia feminina cobrou seu preço e as mulheres acabaram perdendo. A impressão que se passa é que seus argumentos estão mais próximos a vida prática, sem elucubrações teóricas sobre o estatuto ontológico do feminino. E neste ponto, a vida prática mostra que existe uma realidade muito cruel para as mulheres, e ela não a nega, assume uma defesa de empoderamento feminino. Na minha visão estas problematizações são bastante fortuitas, mas de todo este sistema de defesa que ela monta, tanto a base formal em que ele se ancora, quanto o contexto local que ela os insere são frágeis. Nota-se ao longo de sua fala que muito daquilo que ela defende está associado ou deriva diretamente dos apontamentos científicos da pesquisa biológica. Genética inata e comparação de níveis de testosterona são alguns termos usados para justificar que a diferença biológica entre homens e mulheres é base para um conjunto de afirmações que não estão de maneira alguma diretamente ligadas. A falta de uma análise que fuja ao seu contexto local norte-americano ou ocidental, faz com que se dicotomize facilmente noções não tão simples. O papel cultural e social nas relações de gênero é muito mais determinante do que os biológicos. Para outras culturas não procede a versão do homem caçador e a mulher doméstica. Assim não fosse a estrutura matriarcal seria um deslize. Ademais a isso, Camille pare e ignorar que a sociedade capitalista assim como faz com tudo também fez o feminismo virar nicho de mercado e mão de obra por preço menor. E quando falamos em sociedade capitalista burguesa estamos falando também dos valores judaico-cristãos que colocaram a mulher como origem do mal, objetivo que contém o pecado. Ou seja, essa burguesia que enclausura moças reforça e vive desta imagem que é perpetrada pelos meios de comunicação e de valores que eles mesmo dominam. Por fim, quando o grupo do seminário problematiza a violência com a passagem da entrevista na qual ela fala sobre a mulher chamar a atenção pelas roupas que veste podendo lhe recair a ela uma certa culpabilização, reaparecem alguns valores. Nosso sistema de crenças inibe a nudez a toma como raiz de males muito grandes, ao passo que a exposição do corpo ganha conotações diversas e carregadas de preconceitos. Assim, é fato que as vestimentas podem mexer com pessoas. Agora decorrer deste fato a causa do estupro, abuso, sem considerar a composição desta sociedade, parece um passo muito grande. O que ela defende e merece observação é que uma solução para esta realidade não passa por proteção de um lado frágil, mas um fortalecimento para que este próprio lado proteja a si. Sendo tão realista quanto ela, se não se aparata o estado e se legisla sobre o caso (portanto se protege) não se pode sequer pensar em passos posteriores. Não existem discordâncias, ao meu ver, de que a mulher deve usar o que lhe parecer melhor. A grande questão está nas circunstâncias históricas, culturais e sociais para que este “parecer melhor” não seja guiado pelo medo.
A entrevista é bastante reveladora e abre bastante os olhos de todos os gêneros, a ideia da entrevistadora mostra uma verdadeira igualdade entre todos, mostra que a mulher deve ir contra a submissão através de atitudes cotidianas, não fazendo rebeliões, as opiniões debatidas no vídeo demonstra uma luta pela igualdade mais pacífica e com mais resultados, a maneira que as feminista lutam atualmente causa revolta em parte da população, muitas vezes pelas manifestantes não se expressarem bem
Por quem Camille Paglia fala? Essa é uma controvérsia percebida no seu discurso. Entre os temas abordados, o que mais me chamou a atenção foi o fato de Paglia responsabilizar a mulher pelo perigo que ela corre ao usar determinadas roupas, como se fosse uma insinuação sexual, e que transmitiria uma mensagem de querer algo ao se vestir com determinada roupa, Paglia alerta que a mulher deveria se preparar para o que pode ocorrer. O homem nunca é contradito, seu comportamento nunca é posto em dúvida, nunca é pauta para discussão, ou estudado tendo como pensamento o que levaria o declínio de uma civilização, pessoas como Paglia tem uma representatividade nas mídias, na academia, pois é um discurso de poder que tem voz porque concorda com o sistema vigente, ela fala nas entrelinhas, mulheres são maternas, passivas, devem ficar no seu papel estabelecido, acatar e aceitar o que os homens dizem, querem e pensam. Existe uma hegemonia do que é proposto como modelo a ser seguido, os homens sempre nesse modelo serão privilegiados, todos vão usufruir de um privilegio somente por serem homens. Construção de gênero é algo que incomoda porque vai no cerne da manutenção dessa estrutura, homens são educados para serem machistas por mulheres que reproduzem o machismo. A conscientização requer reflexão e critica para desnaturalizar a desigualdade, e mesmo assim terão aqueles, como muitos, que reconhecem seus privilégios medíocres, e reagem como opressão conservadora defendendo a desigualdade e o sistema vigente.
Acredito que as ideias da Camille Paglia são distintas das feministas atualmente,primeiramente ela afirma que a mulher está assumindo o seu lugar no mercado do trabalho e na politica, o que é evidente, ainda mais no Brasil onde a “atual” presidente é uma mulher. Mas a mulher ainda tem dificuldade de encarar o homem como um igual tanto em um ambiente de trabalho quanto em um relacionamento e que acredita que isso ainda não acontece em relacionamento homossexuais por ser um relacionamento mais recente recente. Ela ainda diz que acredita que o homem hetero não busca mais uma relaçao como antigamente, muito por ter uma mulher ao seu lado no escritorio o que o inibe a sua ideia de uma companheira em casa que para ele cuidaria da casa, enquanto diz que a luta feminista, de buscar o seu lugar , na verdade está tomando um rumo o qual ela não concorda que seja o mais ideal, até porque ela considera que é uma transição entre a mulher dona de casa e a que trabalha. Afirma também que tanto a mulher quanto o homem são vitimas no modo de trabalho atual e que isso os torna mais solitarios e menos feliz no sentido em que quando a mulher chega em casa. Ela ainda critica a luta constante do feminismo atual, acreditando que por quanto mais causas se luta mais dificil é alcançar, o que ela acredita ser o correto é lutar pela definição de mulher mas fora do trabalho, já que hoje as pessoas se definem praticamente como seu trabalho Quando questionada sobre a grande quantidade de generos atuais, ela vai para um lado mais biologico e comenta que o mundo vive sempre em ciclos e quando chega um grande colapso de um ciclo tudo inicia novamente e quando iniciar , novamente o homem estará a frente e as mulheres ficarão em casa para cuidar do filhos “os homens terão de sair e caçar animais selvagens”. Ela afirma que muitas feministas negam todo o trabalho que foi desenvolvido pelo homem até hoje, sendo que a mulher acabou se “aproveitando” desse trabalho e assim conseguiu seu espaço e afirma que os homem ainda fazendo o trabalho “duro”; Acredito que seja uma maneira de olhar, ela define como coisas biologicas e não leva em consideração as diferenças sociais.
O que mais assusta no discurso de Camille Paglia é o discurso claramente voltado à supervalorização masculina, analisando seus argumentos, muito raramente observamos adjetivos pejorativos ao designar o "homem", por outro lado, foram incontáveis os adjetivos depreciativos ao designar a mulher da modernidade, inclusive da qual ela faz parte, seu discurso é, no mínimo, espinhoso, uma vez que culpabiliza a mulher segundo o modo como se veste, ou se relaciona com homens, que se mostram, ao longo do relacionamento, agressivos. Ademais,, sob o fundamento de questões biológicas, ela afirma que mulheres operárias, que por opção ou falta de opção tiveram filhos jovens e, durante toda a sua vida, sacrificaram-se em torno das responsabilidades maternas e domésticas são mais felizes, em detrimento a outras mulheres que optaram por seguir uma vida contrária à essa imposta pela sociedade, porém, o que questiono, é o fato de, durante a entrevista, entre outras pérolas, Camille defender que as mulheres devam ser mães cedo, por questões de energia etc, porém, ela mesma, com sua própria experiência pessoal, tem um filho na mais tenra idade, engravidando em idade, no mínimo, senil. Por outro lado, observou-se que seu discurso, amplamente defensor da pornografia, como positiva e benéfica, para os homens. Do mesmo modo como critica a educação básica exercida essencialmente por mulheres, enaltecendo o comportamento do filho que destrói os objetos para "desconstruir"... Em contraposição ao discurso generalista em relação à mulher, a entrevistada mostrou que se trata de uma analista discutível, controversa e paradoxal do comportamento humano.
A autora, no começo do programa, mostra-se contraria ao possível incentivo à cultura trans em nossa cultura ocidental. Ela expressa uma opinião machista e sem muito embasamento teórico, atribuindo a cultura trans uma enorme responsabilidade no que ela diz, ser a decadência da cultura ocidental. Segunda a autora, uma das características do declínio de uma cultura é a emergência da transexualidade. E ainda reforçando sua opinião machista, ela usa o exemplo da possível destruição do mundo ocidental, e a necessidade da figura masculina de ocupar o lugar que tivera antes, de figura central e líder de uma família tradicional. Camille não só é superficial quando se refere a uma falsa popularidade da transexualidade, mas também se utiliza de argumentos do senso comum, não concordando com o suposto, e falso, incentivo da sociedade sobre pais autorizarem intervenções cirúrgicas em seus filhos transgêneros. A autora se expressa de maneira homofóbica quando trata da transexualidade apenas de forma biológica, e não leva em consideração aspectos psicológicos, dizendo ainda que mesmo com a operação de redefinição de sexo, um homem não será uma mulher e vice-versa. Quanto a opinião de Camille sobre o feminismo, compactuar com a opinião vigente, opressora e machista de uma sociedade que precisa de uma autora que sintetize argumentos conservadores, não parece ser problema para a autora, que mais uma vez, de forma sútil e elegante, perpetua a lógica machista da não revisão e alteração de conceitos ultrapassados, mas de uma “ética” em que a mulher, equiparada ao homem, se restrinja e aceite a perpetuação dos valores machistas, dando a entender um possível conformismo com a realidade, e a emancipação da responsabilidade masculina em uma moral que inferioriza as mulheres.
Assistir a entrevista de Camille Paglia é lidar com um espectro demasiado de temas polêmicos para o tempo. Interessante a leitura de que uma parte do feminismo atual é anti-libertário. Em um determinado momento da entrevista ela resume isso de maneira muito forte. “O que eu não gosto do feminismo atual é que toda a sua energia é direcionada para proteger a garota burguesa. Que quer que o mundo seja como a sua sala de estar.... ela espera que o mundo seja reduzido a essas proteções burguesas. Ela não percebeu seus privilégios, ela é arrogante e passou a sua arrogância para o feminismo.”. Tal leitura entre o passado (do qual ela foi ativista) e o atual (do qual ela critica) se dá na mudança de contextos. O passado tinha como meio a inserção da mulher no mercado de trabalho, algo até então negligenciado. Para ela isso foi um erro, pois a privação da biologia feminina cobrou seu preço e as mulheres acabaram perdendo. A impressão que se passa é que seus argumentos estão mais próximos a vida prática, sem elucubrações teóricas sobre o estatuto ontológico do feminino. E neste ponto, a vida prática mostra que existe uma realidade muito cruel para as mulheres, e ela não a nega, assume uma defesa de empoderamento feminino.
ResponderExcluirNa minha visão estas problematizações são bastante fortuitas, mas de todo este sistema de defesa que ela monta, tanto a base formal em que ele se ancora, quanto o contexto local que ela os insere são frágeis. Nota-se ao longo de sua fala que muito daquilo que ela defende está associado ou deriva diretamente dos apontamentos científicos da pesquisa biológica. Genética inata e comparação de níveis de testosterona são alguns termos usados para justificar que a diferença biológica entre homens e mulheres é base para um conjunto de afirmações que não estão de maneira alguma diretamente ligadas. A falta de uma análise que fuja ao seu contexto local norte-americano ou ocidental, faz com que se dicotomize facilmente noções não tão simples. O papel cultural e social nas relações de gênero é muito mais determinante do que os biológicos. Para outras culturas não procede a versão do homem caçador e a mulher doméstica. Assim não fosse a estrutura matriarcal seria um deslize. Ademais a isso, Camille pare e ignorar que a sociedade capitalista assim como faz com tudo também fez o feminismo virar nicho de mercado e mão de obra por preço menor. E quando falamos em sociedade capitalista burguesa estamos falando também dos valores judaico-cristãos que colocaram a mulher como origem do mal, objetivo que contém o pecado. Ou seja, essa burguesia que enclausura moças reforça e vive desta imagem que é perpetrada pelos meios de comunicação e de valores que eles mesmo dominam.
Por fim, quando o grupo do seminário problematiza a violência com a passagem da entrevista na qual ela fala sobre a mulher chamar a atenção pelas roupas que veste podendo lhe recair a ela uma certa culpabilização, reaparecem alguns valores. Nosso sistema de crenças inibe a nudez a toma como raiz de males muito grandes, ao passo que a exposição do corpo ganha conotações diversas e carregadas de preconceitos. Assim, é fato que as vestimentas podem mexer com pessoas. Agora decorrer deste fato a causa do estupro, abuso, sem considerar a composição desta sociedade, parece um passo muito grande. O que ela defende e merece observação é que uma solução para esta realidade não passa por proteção de um lado frágil, mas um fortalecimento para que este próprio lado proteja a si. Sendo tão realista quanto ela, se não se aparata o estado e se legisla sobre o caso (portanto se protege) não se pode sequer pensar em passos posteriores. Não existem discordâncias, ao meu ver, de que a mulher deve usar o que lhe parecer melhor. A grande questão está nas circunstâncias históricas, culturais e sociais para que este “parecer melhor” não seja guiado pelo medo.
A entrevista é bastante reveladora e abre bastante os olhos de todos os gêneros, a ideia da entrevistadora mostra uma verdadeira igualdade entre todos, mostra que a mulher deve ir contra a submissão através de atitudes cotidianas, não fazendo rebeliões, as opiniões debatidas no vídeo demonstra uma luta pela igualdade mais pacífica e com mais resultados, a maneira que as feminista lutam atualmente causa revolta em parte da população, muitas vezes pelas manifestantes não se expressarem bem
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirPor quem Camille Paglia fala? Essa é uma controvérsia percebida no seu discurso. Entre os temas abordados, o que mais me chamou a atenção foi o fato de Paglia responsabilizar a mulher pelo perigo que ela corre ao usar determinadas roupas, como se fosse uma insinuação sexual, e que transmitiria uma mensagem de querer algo ao se vestir com determinada roupa, Paglia alerta que a mulher deveria se preparar para o que pode ocorrer. O homem nunca é contradito, seu comportamento nunca é posto em dúvida, nunca é pauta para discussão, ou estudado tendo como pensamento o que levaria o declínio de uma civilização, pessoas como Paglia tem uma representatividade nas mídias, na academia, pois é um discurso de poder que tem voz porque concorda com o sistema vigente, ela fala nas entrelinhas, mulheres são maternas, passivas, devem ficar no seu papel estabelecido, acatar e aceitar o que os homens dizem, querem e pensam.
ResponderExcluirExiste uma hegemonia do que é proposto como modelo a ser seguido, os homens sempre nesse modelo serão privilegiados, todos vão usufruir de um privilegio somente por serem homens.
Construção de gênero é algo que incomoda porque vai no cerne da manutenção dessa estrutura, homens são educados para serem machistas por mulheres que reproduzem o machismo. A conscientização requer reflexão e critica para desnaturalizar a desigualdade, e mesmo assim terão aqueles, como muitos, que reconhecem seus privilégios medíocres, e reagem como opressão conservadora defendendo a desigualdade e o sistema vigente.
Acredito que as ideias da Camille Paglia são distintas das feministas atualmente,primeiramente ela afirma que a mulher está assumindo o seu lugar no mercado do trabalho e na politica, o que é evidente, ainda mais no Brasil onde a “atual” presidente é uma mulher. Mas a mulher ainda tem dificuldade de encarar o homem como um igual tanto em um ambiente de trabalho quanto em um relacionamento e que acredita que isso ainda não acontece em relacionamento homossexuais por ser um relacionamento mais recente recente. Ela ainda diz que acredita que o homem hetero não busca mais uma relaçao como antigamente, muito por ter uma mulher ao seu lado no escritorio o que o inibe a sua ideia de uma companheira em casa que para ele cuidaria da casa, enquanto diz que a luta feminista, de buscar o seu lugar , na verdade está tomando um rumo o qual ela não concorda que seja o mais ideal, até porque ela considera que é uma transição entre a mulher dona de casa e a que trabalha. Afirma também que tanto a mulher quanto o homem são vitimas no modo de trabalho atual e que isso os torna mais solitarios e menos feliz no sentido em que quando a mulher chega em casa.
ResponderExcluirEla ainda critica a luta constante do feminismo atual, acreditando que por quanto mais causas se luta mais dificil é alcançar, o que ela acredita ser o correto é lutar pela definição de mulher mas fora do trabalho, já que hoje as pessoas se definem praticamente como seu trabalho
Quando questionada sobre a grande quantidade de generos atuais, ela vai para um lado mais biologico e comenta que o mundo vive sempre em ciclos e quando chega um grande colapso de um ciclo tudo inicia novamente e quando iniciar , novamente o homem estará a frente e as mulheres ficarão em casa para cuidar do filhos “os homens terão de sair e caçar animais selvagens”.
Ela afirma que muitas feministas negam todo o trabalho que foi desenvolvido pelo homem até hoje, sendo que a mulher acabou se “aproveitando” desse trabalho e assim conseguiu seu espaço e afirma que os homem ainda fazendo o trabalho “duro”;
Acredito que seja uma maneira de olhar, ela define como coisas biologicas e não leva em consideração as diferenças sociais.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirO que mais assusta no discurso de Camille Paglia é o discurso claramente voltado à supervalorização masculina, analisando seus argumentos, muito raramente observamos adjetivos pejorativos ao designar o "homem", por outro lado, foram incontáveis os adjetivos depreciativos ao designar a mulher da modernidade, inclusive da qual ela faz parte, seu discurso é, no mínimo, espinhoso, uma vez que culpabiliza a mulher segundo o modo como se veste, ou se relaciona com homens, que se mostram, ao longo do relacionamento, agressivos.
ResponderExcluirAdemais,, sob o fundamento de questões biológicas, ela afirma que mulheres operárias, que por opção ou falta de opção tiveram filhos jovens e, durante toda a sua vida, sacrificaram-se em torno das responsabilidades maternas e domésticas são mais felizes, em detrimento a outras mulheres que optaram por seguir uma vida contrária à essa imposta pela sociedade, porém, o que questiono, é o fato de, durante a entrevista, entre outras pérolas, Camille defender que as mulheres devam ser mães cedo, por questões de energia etc, porém, ela mesma, com sua própria experiência pessoal, tem um filho na mais tenra idade, engravidando em idade, no mínimo, senil.
Por outro lado, observou-se que seu discurso, amplamente defensor da pornografia, como positiva e benéfica, para os homens. Do mesmo modo como critica a educação básica exercida essencialmente por mulheres, enaltecendo o comportamento do filho que destrói os objetos para "desconstruir"... Em contraposição ao discurso generalista em relação à mulher, a entrevistada mostrou que se trata de uma analista discutível, controversa e paradoxal do comportamento humano.
A autora, no começo do programa, mostra-se contraria ao possível incentivo à cultura trans em nossa cultura ocidental. Ela expressa uma opinião machista e sem muito embasamento teórico, atribuindo a cultura trans uma enorme responsabilidade no que ela diz, ser a decadência da cultura ocidental. Segunda a autora, uma das características do declínio de uma cultura é a emergência da transexualidade. E ainda reforçando sua opinião machista, ela usa o exemplo da possível destruição do mundo ocidental, e a necessidade da figura masculina de ocupar o lugar que tivera antes, de figura central e líder de uma família tradicional. Camille não só é superficial quando se refere a uma falsa popularidade da transexualidade, mas também se utiliza de argumentos do senso comum, não concordando com o suposto, e falso, incentivo da sociedade sobre pais autorizarem intervenções cirúrgicas em seus filhos transgêneros. A autora se expressa de maneira homofóbica quando trata da transexualidade apenas de forma biológica, e não leva em consideração aspectos psicológicos, dizendo ainda que mesmo com a operação de redefinição de sexo, um homem não será uma mulher e vice-versa.
ResponderExcluirQuanto a opinião de Camille sobre o feminismo, compactuar com a opinião vigente, opressora e machista de uma sociedade que precisa de uma autora que sintetize argumentos conservadores, não parece ser problema para a autora, que mais uma vez, de forma sútil e elegante, perpetua a lógica machista da não revisão e alteração de conceitos ultrapassados, mas de uma “ética” em que a mulher, equiparada ao homem, se restrinja e aceite a perpetuação dos valores machistas, dando a entender um possível conformismo com a realidade, e a emancipação da responsabilidade masculina em uma moral que inferioriza as mulheres.